PURO ACONCHEGO

9.8.17
Claire é, numa primeira aproximação, uma senhora tradicional e discreta. Mas quando se estreita a convivência, damo-nos conta da pessoa sociável, disponível para quem a procura e cativante que está à nossa frente. E assim é também a casa de 1880 que ela própria remodelou. Num olhar mais distraído, parece-nos clássica, sóbria e igual a tantas outras da região. Mas quando entramos, o que sobressai é um estilo rústico e tão feminino, envolto numa paleta pouco óbvia de tons terra, que filtra a luz e nos dá a sensação de um abraço. A cozinha, pela sua localização central, é literalmente o coração da casa e pela manhã, despertamos com o cheiro a café e pão acabados de fazer que perfuma os ambientes. Louças de família, livros de receitas, pratos pelas paredes, souvenirs deixados pelos viajantes que por lá passam, e detalhes originais da casa, como as saídas de ar quente nos pisos, rodapés altos e molduras trabalhadas das portas e janelas, convivem em harmonia. Na sala de jantar, a peça de eleição da Claire: o antigo pé da máquina de costura atua como móvel de apoio na hora das refeições. Pertencia ao seu pai, que trabalhava nos correios e servia-se da máquina para costurar e remendar os sacos e malas de couro que serviam para transportar a correspondência. Achei curiosa, a história. Assim como achei singular receber a chave de uma casa que não me pertencia, num gesto natural e sem constrangimentos. Única recomendação? deixar os sapatos à porta!

ST. JACOBS

2.8.17
Foram 3 semanas de umas excelentes férias, mas não, não vos vou contar sobre as cidades grandes que visitei, pois essas são muito bem divulgadas em qualquer site de viagens. São cidades enormes, cheias de entretenimento e sítios interessantes, entupidas de turistas e com filas para tudo. Exatamente como eu não gosto. Vou antes falar-vos de St. Jacobs, uma vila rural, situada no Canadá, a uma hora de carro de Toronto. Foi aí que fizemos o turismo que nos dá prazer, sem pressas, sem gente, a pedalar e a descobrir. Importa dizer que na região de St. Jacobs habita uma grande comunidade de Menonitas, que tal como os Amish, são desligados das novas tecnologias, têm hábitos muito conservadores e vivem daquilo que produzem. Também não gostam de ser fotografados (interpretam eles que "a pessoa não deve se sentir vaidosa ao se ver gravada numa imagem"), e é por isso que não vou poder partilhar aqui as crianças lindas que vi a brincarem no jardim de casa ou a ajudarem os pais na lida: os meninos vestidos de calças e suspensórios, camisa branca ou xadrez, chapéu de palha tal qual os pais, as meninas com vestidos compridos, avental e touca branca na cabeça, à semelhança das mães. Assim como guardarei na memória e não na máquina, famílias inteiras deslocando-se nos buggies puxados por cavalos, dirigindo-se ao mercado ou ao meeting point (termo que usam para designar a igreja deles). Cenas que pareciam saídas de um filme de época e que muito me enterneceram. Vão ver aqui algumas fotos entre as centenas que bati, mas as melhores, essas, pelas razões explicadas acima, não pude tirar. Ficaram só na minha retina.

Pedido feito à entrada da cidade: conduza como se os seus filhos vivessem aqui.
























PAUSA PARA RECONECTAR

22.6.17
Dentro de alguns dias, parto. Ou melhor, partimos. Uma oportuna super promoção da TAP fez-nos comprar por impulso passagens para Toronto e Boston. Claro que pesou, e muito, o fato da minha filha estar a fazer um estágio a poucos quilómetros de Boston. Não vejo a hora de descontrair, receber novos estímulos, colher inspirações, absorver referências e abraçar a minha filha depois de quase 6 meses. No entanto, os dias que antecedem uma partida são sempre de ansiedade, originada pelo misto da vontade de zarpar com a necessidade de deixar o trabalho organizado. Andava eu a riscar tarefas da minha check-list quando a minha irmã pede-me que lhe faça alguma coisa para ela oferecer a um jovem casal. Se o tempo já estava curto, encolheu um pouco mais, mas pedido de irmã mais velha é ordem. Sim, ela não sabe, e é melhor que continue na ignorância, mas ainda mantém essa ascendência sobre mim. Cansada e com a criatividade a pedir socorro, fiz uns individuais de um patchwork simples e que não me obrigasse a pensar (muito). Para inovar em qualquer coisa, e fazer bonito com a irmã, acrescentei umas gregas, comprei guardanapos na Zara Home, que enfeitei com um crochet de principiante, e para o kit seguir completo, não esqueci os porta guardanapos. E agora é tempo de pausar. Não para desconectar, que eu não me vejo isolada do mundo, mas para fazer um restart pessoal!

ELA É LINDA SEM MAKEUP

14.6.17
Nos anos 70, os meus pais tinham o costume de levar as filhas aos jardins do Inatel de Oeiras. Aos domingos, depois do almoço, eles tomavam um refresco e apanhavam sol, enquanto nós corríamos e brincávamos por ali. Eu era criança, muito criança mesmo, mas se havia alguma coisa que me chamava a atenção no Inatel, era as cadeiras e mesas de ferro da esplanada. Gostava do desenho em leque das costas, das almofadas vermelhas nos assentos e dos pés, que mais tarde vim a saber tratarem-se de hairpin legs (ou pés "grampo de cabelo"). E, acreditem ou não, já adulta, sempre que passava a pé pelo complexo do Inatel, parava, só para contemplar o mobiliário de exterior. Era uma fascinação! Há uns meses atrás, ao chegar a Oeiras, a casa de uma amiga onde nos reunimos 1 vez por mês para fazer patchwork, deparo-me com a cadeira do meu coração à porta do prédio! Venho a saber que pertencia à vizinha de baixo, que num processo de mudança de casa, descartava na calçada o que não lhe interessava levar. Nessa hora fiquei genuinamente feliz e só  pensei na pessoa de sorte que sou. Não vão ver uma grande transformação na cadeira, apenas tirei-lhe a tinta velha, tratei a ferrugem e espetei-lhe com um mega almofadão. Embora não aparente, foram horas à volta dela e apesar do aspeto usado, a cadeira está suave ao toque e linda, linda como sempre!

CADEIRA CAMPBELL´S

5.6.17
Já não sei como me veio parar às mãos esta cadeira, mas achei que mesmo sem ser bonita nem tão confortável, teria um feitio bastante adequado para que eu estampasse nela a famosa lata de sopa Campbell´s. O movimento Pop Art, com suas cores intensas e linguagem figurativa, é um estilo que tem tudo a ver comigo e que mesclado a uma peça mais clássica, consegue imprimir-lhe uma personalidade gigante. A transformação é tão inesperada que é capaz de surpreender até os mais incautos! Já tinha experimentado a técnica aqui e não se preocupem que não pretendo "popartar" a casa inteira mas sim partir para outros voos que incluam a pintura figurativa nas suas mais variadas vertentes!
 

(RE)usar (RE)aproveitar (RE)inventar

29.5.17
Perdoem-me, sei que este tipo de post não é dos mais populares no blog. Mas eu gosto de trazer para cá ideias que observo pelas ruas pois, confesso, fascina-me ver um objeto do dia a dia utilizado de forma diferente. O "reuso" é uma descoberta constante, é olhar para o que já existe e a partir daí tecer infinitas possibilidades de transformação e transportar esses novos conceitos para casa, sem medos.

Gavetas usadas como nichos ou às quais se acrescentou uns pés para transformar em mesas, são ideias bonitas e constantes por aí, no entanto estas peças viradas de cabeça para baixo e utilizadas como  prateleiras, já não é tão vulgar. Já as imagino como mesinhas de cabeceira num quarto com poucos metros.

PARA A EMÍLIA

15.5.17
Lembram-se da manta do Thomas? sim, aquela que tinha tecido resinado no verso e tiras para facilitar o transporte? Pois esta é uma versão mega, ultra feminina da mesma. Tem profusão de flores, frutas da época, rosa e verde para estimular, cornucópias sinuosas. Foi feita a pensar na pequena Emília, que nasceu há 3 meses. A Emília tem uma mana mais velha, que não poderia ser esquecida. Sei, porque a mãe contou-me, que ela é vaidosa e começa a interessar-se por batons, blush, sombras e afins. Usei então os pequenos triângulos que sobraram dos blocos de patchwork da manta, para montar um estojo onde a Maggi vai poder guardar os seus primeiros "produtos de beleza". As fotos foram feitas na praia para homenagear a ilha do Atlântico onde mora esta família, e dizer-lhes que me aguardem, porque qualquer dia desembarco por aí!

ALMOFADAS CACTUS

1.5.17
Deste post da Susi, roubei o título e a inspiração. Estava justamente na fase de reabilitar a parte externa de casa depois de um longo inverno, limpar o limo que se forma no piso, lixar o banco e impregna-lo com óleo de teca, tentar pelo 3º ano consecutivo que a buganvília se desenvolva e floresça, quando imaginei que umas almofadas cactus pudessem emprestar um ar lúdico e divertido ao terraço. Entre pensar e executar, foi um passo. Questão de comprar alguns tecidos, aproveitar material que já tivesse em casa, procurar moldes no pinterest, fazer outros de minha própria autoria. São desenhos de linhas muito simples, de fácil elaboração e aplicação. Outro elemento novo no terraço é a mesa de centro. Na verdade, um banco, que nas fotos parece branco mas é verde água, bem tosco e que me foi oferecido por uma colega do trabalho. Isto de ter fama de que se gosta de coisas velhas e se aproveita tudo, tem destas vantagens, vez por outra somos presenteadas com peças bem engraçadas! Vejo nele uma tal versatilidade que desconfio que este será dos tais que terá vida longa e muitas funções!

BANQUINHO FLORIDO

21.4.17
Considero-me uma stool lover. A sério, não posso ver um banco velho largado em cima de um monte de entulho que logo enxergo ali um sem-número de possibilidades. Bancos para mim, são tubos de ensaio: peças de pequena escala onde podemos dar largas à imaginação de forma descontraída, sem grande responsabilidade e sem perder muito tempo.
O que me chamou a atenção neste, foi o seu assento redondo. Já passaram pelas minhas mãos muitos bancos mas nunca um de assento redondo. Faltava-lhe uma perna, que consegui encontrar uns metros adiante, e uma trave horizontal. Essa, não apareceu e fui obrigada a fazer uma nova. O que aliás, acabou por ditar todo o resto: a madeira diferente da nova trave destoou o que me levou a pintar parte dos pés com tinta spray fluorescente e a usar no estofo um estampado garrido, saído lá dos anos 70. Só para que conste: as fotos não têm filtro, ok? foi o banco que ganhou luz própria!





































BOA PÁSCOA

14.4.17
Mais uma Páscoa e mais um ano em que não consigo reunir toda a família. Mas a mesa está posta para o almoço de domingo, com alegria e amor nos detalhes. Colorida nos pratos e nos sentimentos. Saudando este momento de reflexão e renascimento, em que se celebra a vida e se agradece as bênçãos. A todos que por aqui passam, uma Páscoa muito feliz!

CASAS VELHAS FAZEM-ME SORRIR

9.4.17
Algumas vezes perco a vergonha e mostro no blog trabalhos que faço profissionalmente. Geralmente, são remodelações de apartamentos velhos e devolutos há vários anos. Pouca gente entende esta minha atração por entrar em espaços escuros, sujos e degradados, mas creiam, quanto mais deteriorada e abandonada estiver a casa, mais me sinto desafiada. Se tiverem potencialidade (e raramente não têm) consigo visualizar os espaços acabados quase que imediatamente na minha cabeça. Não vou aqui entrar em detalhes técnicos (e houve muitos nesta obra!) pois o meu objetivo não é ensinar-vos nada e sim e tão apenas inspirar-vos e sensibilizar-vos para andares antigos e cheios de personalidade que existem por aí, só à espera de serem descobertos. O apartamento que vão ver a seguir, é muuuito pequeno, com algum otimismo pode-se dizer que terá uns 30m2. Não tinha casa de banho. A sanita, ficava na cozinha. Sim, leram bem, na cozinha. Ele hoje parece novo, mas o interessante é que as marcas do tempo permanecem: nas portadas que não fecham bem porque estão empenadas, na pedra da chaminé que foi descascada e revelou suas falhas, nas bandeiras das portas ligeiramente inclinadas devido à estrutura do prédio que em algum momento da sua longa existência, cedeu.
Um detalhe que adoro é a janela da cozinha. Nada de abrir para um espaço lindo e cheio de luz, se espreitar por ali, são as escadas do prédio que vai ver! São estas surpresas, impensáveis nos dias de hoje, que me cativam. Para as fotos, trouxe alguns adereços de casa. Já expliquei aqui que o meu trabalho acaba no fim das obras, e que é muito raro eu ter acesso à casa depois de habitada. Então carrego objetos meus para que quem lê possa ter alguma noção do espaço. Aaaah, quando eu fechar pela última vez a porta desta casa de bonecas, vou ter saudades da mini cozinha, da pequena casa de banho e dos cómodos diminutos!

BANDEJA COM MOSAICO

3.4.17
Há já algum tempo que sigo a Veronica Kraemer no Instagram e encanto-me com os trabalhos dela, cada um mais bonito e elaborado que o outro. São mesas, bandejas, caixas, molduras e tudo o mais que possa imaginar, feitas com mosaico de pastilhas ou cacos de azulejos. A influência foi tão grande que vim da minha última viagem a Bruxelas com todo o material na mala: turquez, pastilhas, cola, betume, espátula. Tudo o que precisava para me iniciar na arte e não conseguia encontrar em Portugal. E, claro, esperei que me viesse parar às mãos uma peça que se adequasse. A peça chegou, por meio da cunhada, que me entrega uma bandeja de madeira, velha e de dimensões acentuadas ao mesmo tempo que sem convicção diz-me:"leva isto, vê se lhe consegues fazer alguma coisa!"
E levei. Mas o resultado não chegou de primeira. O que eu queria mesmo era fazer um mosaico com cacos de azulejos. Comprei azulejos, mais ferramentas ainda, e ao mesmo tempo que me correspondia por Direct com a Veronica e assistia aos seus videos, tentava partir azulejos em casa. Uma lástima! saltavam bocados de ladrilho por tudo quanto era lado, o vidrado lascava e o músculo do braço pedia arrego. Parti para o plano B, bastante menos ambicioso: pastilhas. Só que com a minha inexperiência, as que tinha trazido da Bélgica, não eram suficientes. Navega daqui, pesquisa de acolá, descubro a Vitrálica, e em poucos dias tenho em casa 8 cores de pastilhas de vidro. Agora era só pôr mãos à obra. A bandeja, tão desgastada, precisou ser lixada e apareceram dois tons de madeira (nos triângulos que reforçam os cantos e nas pegas) o que levou-me de imediato a gostar um pouco mais dela: afinal a feiosa tinha lá seus encantos escondidos e só precisava mesmo era de um pouco de atenção!






































BANDANA MANIA

22.3.17
Que eu sou super fã dos lenços bandana, acho que já não é novidade para ninguém. Adoro a alegria das cores, os desenhos e a versatilidade de os misturar. Na verdade, e sendo bem sincera, tenho fascinação pelas linhas fluídas e sinuosas das cornucópias e é o doodle que me sai quando distraída, rabisco numa folha. Da toalha de mesa de bandanas, sobraram-me tantos lenços, que eu decidi colocar à prova a minha criatividade e usá-los de várias formas possíveis. Fiz almofadas, organizador de sapatos de festa, bolsas para transportar as havaianas e até um saco express, cujo tempo de confecção não leva mais de 5 minutos. Bom, 10, se a pessoa, como eu, resolver fazer as alças em vez de usar um bonito cordão comprado. Como os lenços já vêm com bainha feita, não há o que saber: juntar 2 lenços e abrir uma passagem para as alças. Agora é esperar que a primavera chegue na prática (e não só no calendário) e sair por aí ostentando a estampa que para mim, é a cara da boa disposição!

MÓVEL COM PINTURA POP ART

5.3.17
O "antes" deste móvel, provavelmente dos que tive entre mãos que mais me deu trabalho, mostrei amplamente aqui. Agora, que ele predomina na parede da sala lá de casa, num local talvez ainda não definitivo, olho para ele e me parece que Lichtenstein conseguiu impregnar-lhe uma boa dose de personalidade. Já há algum tempo que queria iniciar-me na pintura Pop Art, gosto do impacto das imagens e das cores fortes utilizadas e gosto ainda mais da ideia de poder transferir estes desenhos para móveis comuns, tirando-os da "mesmice", do marasmo e da monotonia e atirando-os para o patamar da singularidade. Trata-se de irmos mais além do simples restauro e incorporarmos na decoração da casa, obras de artistas que admiramos. Como primeira experiência foi super válida, tem seus pequenos erros, é claro, mas penso que só são percetíveis por mim ou por quem esteja bem familiarizado com a técnica. "Girl in the mirror" foi o quadro de Lichtenstein do qual me apropriei, mas tenho na cabeça uma vontade enorme de transferir para uma cadeira a famosa sopa Campbell´s de Andy Warhol. E como sou das pessoas que melhor me conhece, e sei que quando começo a imaginar qualquer coisa, dificilmente não concretizo, acho que a cadeira Campbell´s está com muitas hipóteses de se materializar...






































SOUS LE CIEL DE PARIS

21.2.17
É num primeiro andar "a contar vindo do céu", com parede em pedra, vigas aparentes e porta de vidros coloridos, que mora a Zeyna. Do seu país natal, Marrocos, trouxe o colorido dos tapetes, a típica mesa baixa com bandeja de latão, bules e tajines. Mas mais do que isso, e é o que aprecio na casa de um jovem, trouxe a descontracção e a informalidade. Eu diria, a total liberdade de decorar inerente à pouca idade e ao início de vida. Uma falta de constrangimento que resulta em naturalidade: se não há molduras, as fotos vão diretamente para a parede num desenho abstrato; mesa de cabeceira não precisa existir, se há um pequeno tapete que supre as necessidades; e para que fim roupeiros fechados e sisudos se um carrinho expositor de loja os pode substituir? Na pequena cozinha, tudo à vista e à mão de semear para um quotidiano sem cerimónias. E parece que os objetos ganham o seu lugar com espontaneidade, apesar de na sala, uma planta estar estrategicamente colocada sob a luz generosa da janela. E se olharmos por essa janela? mais telhados sob os céus de Paris.

NOTA: as fotos foram tiradas pela minha filha, com o telemóvel (o que explica a pouca qualidade das imagens), num fim de semana que passou chez Zeyna.

DESFAZER E TORNAR A FAZER #3

14.2.17
Como mulher precavida e organizada que era, minha mãe tinha seu traje para a virada do século, já confeccionado pela modista e cuidadosamente pendurado no closet. Mas o destino trocou-lhe os planos, e a pouco mais de 1 mês para a grande data, ela partiu. Era um conjunto de seda, branco, como manda a tradição, saia travada e camisa com mangas curtas e flores aplicadas, bem ao estilo da minha mãe, que gostava de tecidos finos, bordados e algum brilho. Na altura em que perdi minha mãe, acabei por guardar boa parte das roupas de festa dela. Não sei bem porquê. Nem sequer as iria usar: sou mais alta, mais forte, raramente uso vestidos ou saias e também nunca tive imaginação para transformar roupas. Hoje sei, que numa primeira fase, agarramo-nos ao que era da pessoa para tentarmos permanecer perto dela (ou ela perto de nós) e só mais tarde nos apercebemos que as memórias estão na nossa cabeça e não tanto nas "coisas". Seja como for, estes últimos dias, tive entre as mãos tecidos que não estou habituada a manusear, que escorregam, desfiam mal se toca neles e estão fragilizados pelos anos. Desmanchei a camisa da festa que ela não chegou a ir e uma saia que fazia parte de outro conjunto que minha mãe usou no dia em que eu casei. Sofri com os tecidos que teimavam em se desfazer e em fugir dos meus dedos e pela primeira vez na vida, forrei, alinhavei e chuleei, mas consegui fazer aquilo que tinha imaginado: duas pequenas almofadas delicadas e com um certo requinte. Elegantes. Exatamente como minha mãe.

ALMA DE COLECIONADOR

6.2.17
Quem o conhece, sabe que ele é fora do comum, com gostos requintados, algo extravagantes por vezes, eu diria. E que a sua casa é o espelho disso mesmo: do seu inconformismo, da sua ousadia e da sua sensibilidade. Ele é um viajante e um colecionador por natureza. Aprecia cerâmicas, vidros, bibelôs, bules esmaltados, moveis rebuscados. E só na casa dele é possível misturar candeeiros de cristal com ninfas, porcelanas orientais com faisões empalhados, e tudo isto fazer sentido e não cansar. Pode não ser o meu, nem o seu gosto. E pode até ser o contrário do conceito de casa vivida do qual tanto se fala e apregoa hoje em dia. Mas em tempos de abertura e queda de preconceitos, encanto-me com a excentricidade do Missael, e ele consegue sempre surpreender-me a cada vez que transponho a sua porta, mesmo eu sabendo antecipadamente que do lado de lá espera-me o improvável.


PARA O THOMAS

30.1.17
Nos países frios, basta um raio de sol espreitar, para que os parques das cidades se encham de mantas coloridas e cestos de verga. Os pais correm para os parques com as crianças, que cansadas dos grossos agasalhos e das brincadeiras indoor, usufruem o mais possível da liberdade de correr e jogar ao ar livre. Thomas, vai nascer na Alemanha, e eu juntei 19 padrões diferentes para lhe fazer uma manta divertida. A minha pretensão, é que lhe sirva, nos primeiros tempos, para ele deitar-se, espreguiçar-se à vontade e tirar umas sonecas. Daqui a uns meses, ele possa sentar-se nela para brincar. E lá mais para o verão, se estenda à família e aos amiguinhos e convide a belos lanches na relva. A novidade, foi que coloquei no forro, um tecido resinado que repele a humidade e é de fácil limpeza, caso se agarre terra ou outras sujidades. Também providenciei duas longas tiras no topo, para que a manta fique sempre organizada e de fácil transporte. Ou seja, não há desculpas para que, assim que o sol sair e as flores começarem a desabrochar, Thomas não seja visto, agitando braços e perninhas, num jardim perto de casa!

MESAS SINGULARES

20.1.17
A visão fora da caixa sempre me chama a atenção. Gosto de ver como as pessoas lidam com os materiais e as formas e com imaginação, dão um pequeno twist a objetos vulgares, trocando-lhes a função e colocando-os num patamar superior. São ideias vistas nas ruas, em espaços públicos, mas que insisto em registar, pois nada impede que possam ser transportadas para as nossas casas, permitindo-nos sair da nossa zona de conforto e originando ambientes singulares.

→→Em Lisboa, bidons metálicos (ou tambores) foram pintados de cores fortes e dispostos na entrada de uma escola de línguas. Bancos altos, permitem que os alunos sentem e escrevam ou consultem o laptop enquanto esperam para entrar nas aulas.




































WIP

13.1.17
Não é meu hábito mostrar um móvel que comecei a transformar e ainda não acabei, mas a realidade é que a peça tem me dado tanto trabalho, que eu achei que talvez merecesse um post com o durante, quanto mais não fosse para que eu colocasse as ideias em ordem. É um móvel de casa de banho, daqueles que ficavam sobre o lavatório, para guardar a escova dos dentes, as loções e outros produtos de higiene, e tem me trazido algumas surpresas. A primeira, foi que ao desencostá-lo da parede onde estava pendurado há décadas, caiu-me de trás um envelope com dinheiro, algumas notas na moeda antiga, Escudos. Já tinha ouvido falar de pessoas que guardavam as poupanças debaixo do colchão, mas nunca entaladas atrás de um móvel! A segunda surpresa, foi que ao olhar com olhos de ver para a peça e começar a lixá-la, dei-me conta que o espelho central, estava embutido numa antiga pequena porta de armário que teria sido reaproveitada para o efeito. Época em que tudo se transformava e nada se perdia. Para resumir a história, o móvel encontra-se neste momento, naquela fase indefinida, em que até Deus duvida que chegará a bom porto. A minha ideia é tê-lo, dentro de 1 semana, pronto para receber uma pintura Pop Art. No entanto muitas incertezas ainda rolam: se guardo os puxadores antigos ou opto por uns novos; e o que fazer aos interiores dos armários laterais, só pintura ou algo mais? Bem, mas isso ficará pendente das conversas que ele e eu ainda vamos ter. É que móveis de vida longa têm preferências, gostos e tendências que devemos ouvir.

(MINHAS) LOJAS EM BRUXELAS

3.1.17
O meu primeiro post de 2017 vai ser bem diferente daquilo que é costume por aqui (e um pouco longo também!). Como viajo bastantes vezes a Bruxelas e muitas pessoas perguntam-me o que fazer por lá em termos de shopping, deixo um apanhado das lojas que visito sempre que vou. Não são lojas de roupa, porque nesse quesito sou muito prática e fraca consumidora: o essencial que compro, faço-o em Lisboa, de 2 ou 3 marcas que gosto e conheço tão bem, que muitas vezes nem preciso experimentar. O meu vício é outro! são as coisas de casa! Os pequenos nadas que transformam os nossos lares em únicos. Gosto de registar inspirações, tirar ideias daqui e dali, descobrir detalhes interessantes e absorver novas referências. E nisso, minhas passagens por Bruxelas são prolíferas! As sugestões que deixo, nem sempre são nos circuitos turísticos (mas são bem acessíveis por metro) e dividi-as em 5 categorias: 2 bairros com lojas diversas, casas mais viradas para a decoração, lojas essencialmente de cozinha e lojas craft. Vamos passear?

LES MAROLLES
É na Place du jeu de Balle, no coração do bairro Les Marolles, que ocorre todos os dias de manhã, o famoso mercado das pulgas de Bruxelas. Mas sendo Bruxelas a Capital Europeia das Antiguidades, vale a pena perder tempo nas ruas adjacentes à praça: Rue Blaes e Rue Haute, são as ruas por excelência de brocante, ou seja, velharias, antiguidades, roupas vintage e galerias de arte. Mesmo que a intenção não seja comprar, vale a pena apreciar a diversidade e a vivência do local.

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